Voltar para os Guias
Quais são os spots de surf menos conhecidos no Brasil que valem a visita?
Picos

Quais são os spots de surf menos conhecidos no Brasil que valem a visita?

Redação Previsão do Surf
Leitura: 7 min

Introdução

Nos dias atuais de câmeras ao vivo transmitindo pela web (webcams), redes sociais cheias de vídeos diários e aplicativos hiper detalhados sobre as condições, o conceito de "Secret Spot" (o pico de surf não revelado) se tornou praticamente uma extinção em massa no Brasil. Qualquer pequeno swell épico no litoral do sudeste atrai dezenas de carros e logo há brigas pelo line-up da onda. Contudo, devido às proporções continentais da costa brasileira (quase 8.000 quilômetros), ainda existem áreas remotas ou pouco cobiçadas que escondem formações cristalinas e perfeitamente desertas para aquele surf de alma com seus melhores amigos.

A magia do pico menos conhecido reside no trabalho duro: geralmente envolve percorrer quilômetros por estradas de terra, andar extensas trilhas a pé em montanhas costeiras, passar por vilas sem infraestrutura luxuosa, ou remar rios a dentro para chegar à quebra. A seguir, citamos alguns desses tesouros que recompensarão sua viagem com as sonhadas ondas vazias (sem crowd).

1. Região de Galinhos, Rio Grande do Norte (RN)

Geralmente, todo surfista que desembarca no aeroporto de Natal aluga o carro e foca seu roteiro ao sul, buscando a popular Praia de Pipa ou Baía Formosa. Contudo, ao subir a costa em direção ao norte do estado, a infraestrutura desaba, e a exploração floresce.

Por que vale a pena?

A Península de Galinhos e as praias vizinhas requerem acesso por barco ou veículos 4x4 pesados, atravessando áreas de manguezais e salinas. A região possui pontas costeiras ("points") onde as ondulações do oceano Atlântico encontram fundos arenosos inexplorados empurrados pela maré vazante. As extensas esquerdas de maré em praias não pavimentadas são garantias de surfar em um ecossistema estonteante. Como são influenciados fortemente pela temporada do vento, o ideal é visitar em meses onde a ventania perde força (como início de ano e algumas transições climáticas).

2. Praia Brava do Camburi, Litoral Norte (SP)

Você pode achar improvável encontrar uma praia sem pessoas dentro do litoral mais densamente surfado da américa latina. No entanto, ela existe. Mas cobra pedágio no suor para chegar.

Por que vale a pena?

Localizada na divisa escondida entre Ubatuba e Paraty, o acesso da Praia Brava se dá única e exclusivamente por uma trilha extremamente íngreme no coração preservado da Mata Atlântica. É preciso de meia hora a uma hora para descer, e uma árdua tarefa de retornar a pé depois da sessão com o corpo exausto do surf. Graças a isso, apenas os surfistas com real vontade enfrentam a descida. O recompensa é uma praia com tubos pesados e rasos perto da orla, fundo de areia mesclado em lajes e o silêncio cortado apenas pela agressividade das arrebentações no que o pessoal local carinhosamente chama de "paraíso ou inferno".

3. Litoral Sul Capixaba (ES) - A Costa Secreta

A cultura surfística frequentemente pula o estado do Espírito Santo, fazendo da ponte Rio-Bahia sua via direta mentalmente, o que cria um dos últimos santuários nacionais de reef breaks.

Por que vale a pena?

A região costeira do Espírito Santo é famosa pelas temíveis formações rochosas rasas com lajes impressionantes quebram ondas triangulares com perfeição assustadora e qualidade que faz lembrar praias da Austrália e do Havaí. Regiões ao redor de Regência, Jacaraípe e Guarapari possuem seus nomes célebres e recebem bastante público regional nos finais de semana, mas se você abrir os aplicativos via satélite, achará incontáveis pequenas vilas com rochedos se abrindo na água. Muitos point-breaks capixabas na região sul permanecem sem sequer nomes oficiais em mapas, revelando direitas que descascam pelas fendas se você coincidir a visita com as potentes ondulações de sul em junho a agosto, livre do estress de multidões famintas por fotos.

4. Praia de Iporanga, Guarujá (SP)

O Guarujá no final de semana parece a filial do caos em forma de carros. Porém, a área extrema da península guarda o reduto luxuoso mas incrivelmente limpo.

Por que vale a pena?

A Praia de Iporanga fica incrustada no interior de reservas de proteção da flora que hoje são grandes condomínios privados. O acesso a essas praias é livre (garantido por lei como solo da União), mas a vigilância e os métodos de entrada dos condomínios controlam estritamente o número diário. É vital chegar com os primeiros raios da manhã, muitas vezes às cinco horas, para pegar uma das parcas vagas. Quem faz o trajeto usufrui de praias esmeraldas, preservadíssimas, uma cachoeira vertendo águas diretas na orla e fundos que formam surfables constantes na calmaria protegida dos ventos fortes, num ambiente exclusivíssimo a meras horas de São Paulo.

Como descobrir e proteger seu novo "Secret Spot"?

Sair caçando praias vazias tem uma responsabilidade pesada na cultura original de surf.

  • Faça suas pesquisas pelo Satélite: Utilize a visão de satélite do Google Maps ou similares e procure formações geológicas em curva ou bancos de foz de rio não sinalizados perto do litoral aberto. Depois cruze isso com as direções e janelas do radar do swell.
  • Respeite os moradores locais ("Locals Only"): Frequentemente, se você chegar numa praia no nada, vai se deparar com três pescadores locais que surfam ali nos domingos e conhecem a região. Não seja invasivo, trate como o quintal da casa deles. Ganhar amizades nas pranchas isoladas salva vidas.
  • Nunca divulgue localização específica (No Geotagging): Você gravou o tubo do ano na câmera Go-Pro na bancada de pedras inexplorada de um vilarejo com trinta almas? Ótimo. Poste para seus amigos, mas NÃO atrele a localização e não detalhe nomes e nomes das trilhas ao publicar o conteúdo. A superexposição digital massacra ecossistemas pequenos de surf em poucas semanas. Mantenha os mitos vivos e deixe que outros batalhem para achar por conta própria.

Conclusão

O apelo para buscar os picos esvaziados compensa todos os pneu atolados no barro, as mutucas picando na trilha e os banhos sem chuveiro nas estradas ermas. Focar sua energia na leitura do clima, do vento e das estradas com a intuição da exploração formará um vínculo muito maior com o esporte. Coloque o dedo no mapa das nossas províncias costeiras inexploradas, confira quando o vento e a altura baterão o combo ideal e suma no horizonte!

Pronto para cair na água?

Agora que você já tem o conhecimento, cruze com a nossa precisão algorítmica. Confira como estão as ondas hoje!

Ver Previsão do Surf ao vivo
Gostou desse guia?
IA Surf