Stand up paddle

Alguns conhecimentos básicos de navegação para uma remada de stand up paddle em mar aberto

Stand up paddle_Conhecimentos básicos de navegação_WeSUPVocê já praticava alguma atividade aquática antes de descobrir o stand up paddle? Se a sua resposta for não, estamos no mesmo barco, junto com a maioria dos praticantes de SUP no Brasil. Até o final do ano, teremos no país algo em torno de 100 mil remadores. Cerca de 70% dessa galera toda ingressou no universo aquático com o pranchão – e isso significa que temos uma grande lição de casa para fazer. “Passei a encontrar no mar pessoas que não tinham a menor ideia do que estavam fazendo”, conta o iatista e especialista em navegação Ricardo Machion, com quem resolvi pegar algumas dicas justamente para não sair totalmente perdida por aí. Depois de enumerar uma série de acidentes que aconteceram pelas águas brasileiras nos últimos tempos, Ricardo, que é também remador, me passou alguns conhecimentos básicos de navegação importantes para quem planeja remadas oceânicas. Vamos lá. Primeiramente, o vento, a força motriz de tudo o que acontece na água. Procure saber quais são os ventos característicos da região. O ideal é começar a sua remada no contravento para que tenha o vento a seu favor na volta, quando você já estará mais cansado. Você pode verificar o sentido do vento antecipadamente em sites como Previsao do Surf . Lembrando que o nome do vento indica sempre a sua origem (o vento sul vem do sul e segue para o norte) e as flechas apontam para onde o vento sopra. Direção do vento Mas esteja preparado para surpresas. Por conta de uma mudança de pressão atmosférica ou da geografia do local, entre outros fatores, o vento pode mudar de direção durante a sua remada e você pode acabar tendo que voltar contra o vento. Normalmente, o vento ronda (muda de direção) por volta de meio-dia. Quando pegar alguma mudança inesperada na sua volta, você tem que avaliar se ainda tem força para remar contra o vento ou não. Caso não tenha, você pode usar uma rota de fuga, ou seja, não voltar para a praia de onde partiu, mas remar em direção a uma das praia vizinhas se, por conta do recorte da costa, elas estiverem favorecidas pela direção do vento. Isso significa conhecer bastante a geografia da região e estudar antecipadamente suas possíveis rotas de fuga. “Se você estiver remando em água aberta e ficar confusa com o ângulo do vento, é só olhar um barco atracado. A proa do barco aponta sempre para o lado de onde vem o vento”, indica Ricardo. Se ainda estiver perto da praia, uma dica é se orientar pelas windflags que você encontra geralmente na frente de escolinhas de surf. Antes de sair para remada, cheque também a direção da ondulação. Quanto mais alinhada com o vento, melhor será a sua navegação. Se o vento estiver na mesma direção da ondulação, ela virá perfeita. Caso contrário, prepare-se para remar no meio de um turbilhão. Fique atento ainda à fase da Lua. Em períodos de Lua cheia, por exemplo, as marés ficam mais fortes e, quando a maré seca, ela volta com muita força, podendo te arrastar para dentro do mar. Além de se informar sobre as condições do mar, é importante lembrar que não estamos sozinhos lá fora. Até 200 metros da área arrebentação, estamos protegidos de embarcações maiores. Passando esse limite, já não temos mais essa proteção. E, ao contrário do que pode parecer, não é tão fácil para uma embarcação de grande porte desviar de um remador que venha a aparecer em seu caminho. “Um navio na água é como um barquinho de papel em uma banheira. O mar é muito forte, ele desloca um navio em segundos”, explica o iatista.  Portanto, é importantíssimo evitar remar próximo de embarcações. Dicas de segurança Isso tudo é apenas a ponta do iceberg de todo conhecimento importante para garantir uma remada oceânica segura (nem falamos de corrente!). Então, além de tudo, sempre saia bem equipado e siga algumas dicas simples, mas fundamentais, de segurança. Veja algumas orientações do Ricardo: – Leve o equipamento básico de segurança: colete salva-vidas, apito e leash. – Prepare o seu plano de navegação e deixe com alguém de confiança, indicando o seu trajeto e o horário em que deve voltar. – Leve um celular. Se não tiver uma capinha à prova d´água adequada, aqui vai uma dica esperta: uma camisinha dá conta do trabalho! Caso mude o seu trajeto ou acabe utilizando uma rota de fuga, você terá como avisar a pessoa que ficou com seu plano de navegação e, se for necessário, pedir uma ajuda. – Ao escolher a sua prancha, garanta que a largura dela permita que você reme deitado, com os braços. Seu corpo se torna uma vela quando há ventos fortes. Se estiver contra o vento, você terá a opção de remar deitado, reduzindo a sua área vélica e facilitando a remada. Boa remada e bons estudos!

 

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